E incrivel como as pessoas sao capazes de mentir a si mesmas, principalmente quando se trata de emagrecer: nenhum gordo come desesperadamente, todos comem feito passarinhos; nenhum gordo é viciado em gorduras e refrigerantes, todos são vegetarianos ou se alimentam de Pranas.
Há quase vinte anos eu morei uns tempos com uma tia, que eu adoro, e que sempre esteve na condição de gorda. Uma noite cheguei em casa e ela tinha preparado um banquete: arroz com galinha, batata frita, saladas, sobremesas. Perguntei quem ela estava esperando, e ela disse que tinha feito pra mim. Fiquei feliz, afinal ela gastou seu tempo preparando algo para me agradar! Comi feito um condenado em sua última ceia, mas minha tia comeu apenas umas rodelinhas de tomate e umas duas folhas de alface, alegando que estava de dieta e sem fome mesmo. De madrugada eu acordei, e fui ao banheiro, e ao acender a luz tive uma visão da qual eu preferia ter sido poupado: minha tia de pijama, sentada no vaso, com uma coxa de galinha na mão direita como se fosse um tacape, e outra coxa na mão esquerda e na boca. Ou seja, a mulher comia no escuro, escondida no banheiro, para que ninguém — nem mesmo mesmo ela — visse.
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