O preconceito nosso de cada dia

Originalmente publicado em O preconceito nosso de cada dia.

O Charles divulgou a notícia e um breve comentário, e eu comentei sobre isso. Aí veio o Marcus Pessoa e fez um comentário sobre o meu comentário (se quiserem visitar o blog dele, vão por este link, lá no do Charles está errado).

Pô, Marcus, bem se vê que você não faz nem idéia de quem seja Janio Sarmento nessa vida! Considerar preconceituoso o meu comentário é apenas, simplesmente, reflexo da sua própria paranóia! Ou agora uma pessoa não pode mais falar “rabo”, “cu” ou “caralho” na Internet, num site de e para adultos, que isso é considerado agressivo e preconceituoso?

Cara, ninguém, absolutamente ninguém quer mais do que eu viver numa sociedade em que as diferenças sejam respeitadas de tal forma que todos possamos nos considerar iguais. Ninguém, nem mesmo os ativistas gays de maior expressão, como o Beto de Jesus (link para o cache do Google porque não consegui abrir a página original). Talvez eles tenham tanta esperança e desejo quanto eu, mas não mais.

Porque, Marcus, eu sei o que é ser vítima do preconceito. Para pegar um exemplo de preconceito, que é muito pior do que o preconceito contra o homossexual, lembremos da forma como são tratados os gordos. Eu sou gordo, e sinto na carne o preconceito.

Só pra começo de conversa, o gordo é o cara que seria o último a arranjar uma namorada (ou um namorado). Todo mundo só quer saber de homens jovens, com barriga de tanquinho, brancos mas queimados de sol (se a pela for toda escura, sem marca de sunga, já era), peitorais definidos, bíceps desenvolvidos e pau grande.

Mas essa não é a única manifestação do preconceito contra os gordos: ninguém nunca quer sentar ao seu lado no ônibus (o que, confesso, até considero uma vantagem, na maior parte das vezes); ninguém quer ficar perto dele na fila do bifê; seus colegas de trabalho não querem ir almoçar “com a baleia”; não se encontram roupas prontas, pois a indústria acha que só os magérrimos têm dinheiro para se vestir. O que é no mínimo tão burro quanto fazer sites que só funcionam no IE apenas porque a maioria o usa – “fodam-se as minorias” é o que pensam os fabricantes.

Além disso, as pessoas não respeitam, sequer cogitam, a possibilidade de o gordo ser feliz assim. De cada cinco palavras que dizem, quatro são “tu tem que emagrecer” e outras cobranças do tipo. Acham que todo gordo é cardíaco e que vai perder as duas pernas numa trombose.

E, claro, dificilmente um gordo ganha carona. As pessoas têm medo que levando um gordo de carona, a suspensão do lado direito vai precisar de reforço.

E para gordo também é difícil arranjar emprego, pois as empresas não querem correr o risco de ter de reforçar algumas cadeiras para que suportem o peso de um funcionário fora do padrão. Não importa muito a competência, pois a obesidade pesa mais – sem trocadilhos.

Isso tudo seria um prato cheio para quem quisesse se fazer de vítima do preconceito. Eu poderia fazer isso, e fiz enquanto o único prazer que conhecia era o de culpar os outros por serem o que são. Ou seja, se são preconceituosos, que se fodam com seu preconceito.

Eu sou gordo, não emagreço porque não quero, porque sou feliz assim. Ou porque, no mínimo, sou covarde para pagar o preço que a mudança implica. Quem não gosta de ser o que é, muda. Basta de hipocrisia. Viado dá o rabo. Ponto. Homem que come homem também é viado. Ponto. Homem que não é viado come mulher. Ponto.

Isso é ofensa? Falar a verdade é ofensa? É preconceito? Desde quando?

É como eu sempre digo: “só não gosto de homossexual porque eles vivem dando em cima do homem da gente.” ;)

Que tal compartilhar este texto com seus amigos? É só clicar nos botões abaixo e divulgar!

Limpe o organismo e perca peso facilmente

Leia também: