Por conta de uma hérnia que requer intervenção cirúrgica, há umas poucas semanas estive fazendo uma bateria de exames e consultando com um especialista, o Dr. Pablo Miguel, que me parece ser uma das maiores autoridades em cirurgias abdominais, tanto para o caso de hérnia (que me interessa diretamente) quanto para gastroplastias (que interessam aos leitores deste site).
De fato, foi um privilégio conhecer o Dr. Pablo, que é um daqueles profissionais que a despeito de serem uma sumidade são extremamente simples e simpáticos. Durante a consulta ele respondeu cada pergunta que eu fiz, inclusive as mais bestas, com paciência e de uma maneira que um leigo como eu fosse capaz de entender. No dia seguinte à consulta, por uma feliz coincidência, acabamos tomando um café juntos, gentileza dele, e eu aproveitei para fazer mais perguntas, já que não é todo dia que se tem a possibilidade de estar frente a frente com um especialista em um assunto que tanto nos interessa.
Na verdade, o Dr. Pablo mesmo sendo uma autoridade no assunto tem ressalvas importantes quanto a algumas técnicas de cirurgia bariátrica, e quando ele me falou isso a confiança que eu já tinha nele e em seu trabalho aumentaram. Naturalmente, eu quis saber quais eram as suas razões para, como profissional, não recomendar algumas das técnicas mais famosas, e ele me explicou cada razão.
Mas, claro, eu não estava preparado para “entrevistar” meu médico, e por esta razão não foi possível fazer um registro exato do que ele me falou. Então saí à cata de algumas informações para poder compor o presente texto, além — claro, pois este é um blog — das minhas próprias impressões.
Em primeiro lugar, eu fico muito preocupado ao ver as pessoas falando de cirurgia de redução do estômago como se passar por um procedimento desses fosse como ir à manicure ou ao cabeleireiro; como se amputar um pedaço de um órgão importantíssimo de seu corpo fosse algo besta e sem consequências.

Esquema do implante do balão intragástrico
O Balão Intragástrico
Uma das técnicas de cirurgia de estômago que, segundo o que apreendi da conversa com o médico, é bastante segura e das menos invasivas é o implante do balão intragástrico, cujo funcionamento é bem simples: ao ocupar até 40% do volume do estômago do paciente, a sensação de saciedade vem muito mais rapidamente. O principal motivo de eu achar que esta seja a primeira opção num procedimento destes é o fato de ela não implicar cortar nada, nem mexer com o funcionamento do sistema digestório, além de simplesmente facilitar a sensação de saciedade.
O sucesso desse procedimento, como em todo assunto que diga respeito a redução de peso, depende da atitude do paciente após o operatório, mais especificamente com relação à adoção do hábito da atividade física associado à reeducação alimentar.
O balão intragástrico só pode ser deixado no estômago do paciente por seis meses, prazo que deve ser mais do que suficiente para que se atinja o objetivo a que a técnica se propõe: ensinar o obeso a alimentar-se de maneira mais saudável e moderada.

Esquema simplificado do Bypass Gástrico
Bypass Gástrico
A técnica do Bypass Gástrico parece ser a técnica de cirurgia de estômago mais empregada no mundo. O emagrecimento decorrente desta intervenção ocorre porque o paciente perde a fome, ou seja, a comida deixa de ser a grande fonte de prazer na vida do sujeito.
Diz-se que a perda de peso média é de 40% a 45% do peso inicial, o que implica uma grande melhoria da condição clínica do obeso mórbido.
Entretanto, não é raro que pacientes operados sob esta técnica apresentem problemas relacionados a anemia e osteoporose, causados pela baixa absorção dos nutrientes dos alimentos ingeridos, o que obriga o paciente a fazer reposição vitamínica para o resto da vida.
É como se a pessoa tivesse de escolher entre obesidade ou anemia e osteoporose.

Diagrama do "duodenal switch"
Cirurgias Bariátricas Dissabsortivas
Estas são técnicas bem mais raras, porque são muito radicais. Em resumo, elas consistem em que se inutilize uma grande porção do tubo digestivo, para evitar que o organismo absorva gorduras e carboidratos, mas tentando não prejudicar a absorção de proteínas.
Os efeitos adversos desta técnica podem ser ainda piores do que os da técnica do Bypass Gástrico, podendo causar até mesmo cirrose hepática.
Além disso, a qualidade de vida do paciente fica bastante prejudicada, pois sua alimentação terá de ser modificada para o resto da vida, baseando sua dieta em carnes (como fonte de proteína), mas evitando gorduras — fica fácil de ver o paradooxo.
Como o paciente passa a ter apenas cerca de 30% de seu tudo digestivo, o resultado é que ele passa a viver com constantes diarréias, além de apresentar fezes de odor absolutamente pútrido, o que certamente ocasiona severos desconfortos no convívio social.

Diagrama da Banda Gástrica Ajustável
Banda Gástrica Ajustável
Essa técnica consiste na instalação de uma cinta inflável ajustável ao redor do estômago, que vem a promover um estreitamento deste, tornando-o uma espécie de ampulheta (aquele relógio de areia, para os menos atentos). Sob a pele do abdomen fica um botão pelo qual o cirurgião pode injetar liquido estéril e assim inflar mais ou menos a banda, aumentando ou diminuindo o calibre de esvaziamento da ampulheta.
Tal mecanismo apresenta um problema grave para o obeso: a fome não se vai, apenas fica dificultado o ato de comer.
Acontece que o paciente tem de comer pequenas quantidades, que lotarão a parte superior da “ampulheta”, e lentamente este alimento irão escoando para o restante do estômago. Mas isto implica que a saciedade cerebral vai demorar muito a chegar (porque a comida não chega àquela parte do tubo digestivo que envia para o cérebro o sinal de refeição completada). Assim, o paciente naturalmente vai substituir carnes e verduras por carboidratos, que ficam pastosos na boca e passam mais facilmente pelo “ralo” da ampulheta. Em outras palavras, o paciente pode tornar-se devorador de doces porque estes “passam mais fácil”.
Devido ao relativamente pequeno volume da porção superior do estômago é comum que o paciente apresente vômitos frequentes, ou que venha a ter problemas de refluxo do ácido do estômago para o esôfago, o que causa esofagite de refluxo.
Além disso, o paciente terá para o resto da vida uma prótese no estômago, em última análise um corpo estranho no organismo, e próteses sempre podem apresentar implicações no futuro.
Conclusão
Caros leitores, ao lerem o que escrevo aqui lembrem-se sempre que sou analista de sistemas e não médico. Em hipótese alguma uma página na Internet pode ser considerada fonte única de informações sobre qualquer assunto, principalmente ligado à saúde, pois assim como eu escrevo tentando levar um pouco de bom senso e consciência crítica às pessoas há os picaretas que só querem saber de tentar vender suas porcarias aos mais necessitados.
Embora eu tenha pessoas relativamente próximas que fizeram cirurgia de estômago e hoje estão extremamente bem, sou contrário à utilização desta como fórmula mágica para emagrecer, e é baseado nisso que vou expressar minha opinião sempre.
Se você tem problemas de obesidade (mórbida ou não), procure um médico, e se ele recomendar a cirurgia procure outro profissional, para ter uma segunda opinião. Em hipótese alguma tome medicamentos por conta própria, seja a “inocente” sibutramina (por favor, notem a ironia em “inocente”), sejam as tradicionais e perigosas anfetaminas, seja lá o que for.
Saúde é coisa séria, e ninguém tem o direito de brincar com a vida, seja a própria seja a alheia.
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opa que encontrei alguem que pensa como eu, tão banalizando totalmente a cirurgia bariatrica, sou bem gorda mesmo, mas a unica que me fala coisas aproveitaveis é a minha endocrino, que finalmente consegui achar uma profissioal 100%, mas o cardi e o ortopedista que passei, me perguntaram porque não a fazia, só respondi que se uma cirurgia resolvesse eu faria uma lobotomia, pois meu problema não era o estomago e sim a mente.
Estão transformando esta cirurgia num procedimento ridiculo e banal, como se fosse a ultima gota de agua no deserto
Não sei se é como você diz, para se realizar a cirurgia é nessessario estar diposto a mudança radical no seu abito alimentar,
È necessario muita coragem e determinação